Depois Daquela Noite no Escritório… Não Consegui Mais Olhar Nos Olhos da Minha Esposa
[ O primeiro toque ]
Você sabe aquele momento em que tudo muda? Quando percebe que a vida não é mais a mesma? Pois é. Aconteceu comigo numa terça-feira qualquer, numa tarde de chuva que cheirava a terra molhada e promessas.
Ele estava na minha cozinha, apenas observando enquanto eu preparava café. Havia semanas vivendo essa dança silenciosa entre nós, essa eletricidade que pairava no ar mesmo quando estávamos em cômodos diferentes. Naquele dia, algo havia mudado. O silêncio era diferente. Mais pesado. Mais cheio de possibilidades.
“Sabe”, ele disse, e a voz dele parecia mais grave que o normal, “chove como se o mundo estivesse lavando as tristezas”.
Eu ri, um som que saiu mais espremido do que imaginara. “Sempre tão poético”.
Ele deu um passo em minha direção. Apenas um, mas no pequeno espaço da minha cozinha, aquele passo era como continente inteiro se movendo. Senti o cheiro dele — mistura de chuva, do perfume sutil que usava, e algo particularmente dele, algo que minha memória olfativa guardava como segredos preciosos.
“Estou sendo sincero”, disse ele, agora a um braço de distância. “Acho que… acho que a gente precisa parar de fingir”.
Meu coração fez aquela coisa de pular no peito, um baile descompassado contra minhas costelas. Minhas mãos tremeram enquanto segurava a garrafa de café. “Fingir o quê?”
Ele não respondeu com palavras. Apenas levantou a mão lentamente, como se estivesse abordando um animal assustado, e tocou meu rosto. A ponta dos dedos quentes na minha pele, traçando a linha da minha mandíbula. Fechei os olhos. Tudo em mim gritava para recuar, para criar distância, para preservar o equilíbrio frágil que havíamos mantido por tanto tempo.
Mas meu corpo não obedeceu. Em vez disso, eu me inclinei para o toque. Uma entrega silenciosa, quase imperceptível, mas ele sentiu. Claro que sentiu.
“Você sente isso também?”, sussurrou ele, e o respirar dele quentinho bateu no meu rosto.
Não consegui falar. Apenas balancei a cabeça, um movimento mínimo que disse tudo. Seus dedos deslisaram pelo meu pescoço, deixando um rastro de fogo por onde passavam. Cada milímetro de minha pele despertava sob aquele toque, como se estivesse dormitando há anos e só agora começasse a viver de verdade.
Quando seus lábios encontraram os meios, não foi um beijo explosivo ou dramático. Foi algo mais perigoso. Mais decisivo. Suave, mas com a certeza de quem finalmente cede ao inevitável. Seus lábios eram macios, um pouco mais quentes que a minha pele, e tinham o gosto sutil de café e chuva.
Minha mente tentou formar pensamentos coerentes. Isso é loucura. Devemos parar. E daí? Um pouco de loucura não faz mal a ninguém, né?
Quando a língua dele encontrou a minha, foi como encontrar uma peça que faltava que eu nem sabia que estava perdida. Senti o sal da pele, o calor da boca, a umidade do desejo crescendo entre nós. Minhas mãos, antes paradas ao lado do corpo, encontraram o peito dele. A batida rápida do coração sob meus dedos era um eco do meu próprio.
Ele afastou-se um pouco, só o suficiente para encostar as testas. Respirávamos o mesmo ar. O café na cozinha queimou um pouco, enchendo o espaço com aroma amargo, mas nenhum de nós se importou.
“Você é perigosa”, sussurrou ele contra meus lábios, e sorri. Não era um sorriso de deboche. Era aquele sorriso de quem sabe que caiu num abismo e não se importa de se espatifar no fundo, porque a queda valeu a pena.
Levantou as mãos até meus cabelos, desfazendo o coque desleixado. Fios escorregaram pelos dedos dele, e eu senti a ponta das unhas raspando levemente meu couro cabeludo. Uma onda de arrepios percorreu minha espinha, fazendo com que eu arqueasse as costas instintivamente.
“Por quê?”, perguntei, a voz embargada, quase inaudível.
Ele não respondeu. Em vez disso, beijou meu pescoço, um beijo aberto e úmido que me fez perder o fôlego. A barba por fazer dele raspou minha pele delicada, misturando dor e prazer de forma que meus joelhos quase fraquejaram. Senti as mãos dele descendo pelas minhas costas, encontrando o contorno dos meus seios por cima do vestido de algodão.
“Faz tempo que eu imaginava como seria tocar aqui”, admitiu ele contra minha pele, e a confissão reverberou por todo meu corpo como uma onda.
Quando ele finalmente me tocou, não foi através do tecido. As mãos dele deslizaram sob a barra do vestido, encontrando a pele quente da minha barriga. Eu pensei que ia desmaiar. A sensação daquela pele contra a minha, depois de tantos meses de pura imaginação, era quase insuportável. Suas mãos subiram lentamente, explorando, descobrindo, até encontrarem meus seios.
Aí, sim. Aí eu realmente perdi o controle.
Minha cabeça tombou para trás, expondo completamente meu pescoço a ele. Senti o som baixo e rouco que saiu da garganta dele, um murmúrio de aprovação que fez meu estômago dar uma reviravolta. Seus dedos encontraram meus mamilos, já duros antes mesmo do toque, e quando ele os rosuou entre polegar e indicador, um gemido escapou dos meus lábios. Um som que eu não reconheci como meu, tão necessitado, tão despido de qualquer pretensão.
“Sua voz quando você faz isso…”, sussurrou ele, e o tom de desejo na voz dele era quase palpável. “Você faz os piores pensamentos subirem à minha cabeça”.
Ele me levantou como se eu não pesasse nada, sentando-me na bancada da cozinha. Fiquei com as pernas abertas, encaixando a bacia dele entre minhas coxas. O vestido subiu, expondo minhas coxas, e ele se afastou um pouco só para me olhar. O olhar dele era tão intenso que senti como se estivesse me despindo não de roupas, mas de todas as minhas defesas.
“Você é linda assim”, disse ele, e a voz dele tinha essa qualidade grave que mexia com partes profundas de mim. “Com os olhos vidrados, os lábios inchados de beijos, respirando como se tivesse corrido uma maratona”.
Eu queria dizer algo, qualquer coisa, mas as palavras me abandonaram completamente. Então fiz a única coisa que conseguia: puxei ele para perto novamente, enfiando minhas mãos no cabelo dele e trazendo os lábios de volta aos meus. Dessa vez, o beijo era diferente. Mais faminto. Mais desesperado. Mais dono.
Uma das mãos dele desceu pela minha barriga, sem rodeios, direto para o centro do meu desejo. Ele não hesitou, não perguntou. Apenas me tocou através do tecido fino da calcinha, e eu pensei que ia morrer. Seus dedos saberam exatamente onde encontrar, exatamente como pressionar, exatamente o ritmo que me deixaria louca.
“Isso”, eu gemi contra a boca dele. “Por favor, não pare”.
Ele riu, um som baixo e arrogante que em qualquer outra circunstância me irritaria, mas naquele momento só me deixou mais molhada. “Não pretendo parar tão cedo”, prometeu, e seus dedos se afastaram por um segundo — o tempo suficiente para eu sentir uma pontada de desapontamento tão aguda que doeu — antes de deslizarem sob o elástico do meu lingerie.
O primeiro toque direto foi um choque elétrico. A pele quente e macia dele contra minha pele já úmida, e eu quase bati a cabeça na parede atrás de mim. Ele me olhou nos olhos enquanto os dedos exploravam, uma conexão tão intensa que me senti completamente exposta.
“Você quer tanto”, ele observou, e não era uma pergunta. Era uma afirmação carregada de poder e… admiração?
Só consegui assentir, arfando como se tivesse acabado de subir uma montanha. “Há meses”, confessei, a voz soando estranha aos meus próprios ouvidos. “Desde aquela festa na casa da Helena”.
Os olhos dele se arregalaram surpresos. “Aquela festa? Mas mal nos falamos lá”.
“Você me olhou de um jeito”, expliquei, enquanto um dos dedos dele entrava em mim lentamente, me forçando a prender a respiração. “E eu soube que… que seria assim”.
Ele me beijou novamente, um beijo profundo e possessivo, enquanto o dedo dele começava a se mover dentro de mim. Um ritmo lento no começo, explorando, aprendendo cada centímetro, cada reação minha. Quando o polegar dele encontrou meu clitóris, eu não consegui mais segurar os gemidos. Eles vinham de um lugar tão profundo, tão primal, que mal parecia que saíam de mim.
“Você tem um jeito de…”, eu comecei, mas a frase se perdeu em outro gemido quando ele aumentou a pressão no meu clitóris enquanto o dedo dentro de mim se curvava para encontrar aquele ponto secreto.
“Um jeito de quê?”, ele insistiu, a voz rouca de desejo. Os lábios dele percorriam meu pescoço, mordiscando a pele suavemente.
“Me fazer esquecer de tudo”, eu consegui dizer finalmente. “Esquecer que deveria ter controle. Esquecer que há um mundo lá fora. Esquecer meu próprio nome”.
Ele riu contra minha pele. “Boa. Porque no momento, o único mundo que importa é este. E o único nome que eu quero que você lembre é o meu”.
E aí ele disse o nome dele contra meu ouvido, sussurrado como uma promessa secreta, uma oração profana que reverberou por todo meu corpo. Sei que não faz sentido, mas ouvir meu nome na boca dele enquanto ele me tocava assim foi quase tão intenso quanto o próprio toque.
A cozinha tinha se transformado completamente. O cheiro de café queimado se misturava ao nosso suor, ao cheiro do desejo que preenchia o ar. A luz da tarde entrava pela janela, pintando tudo de tons dourados e laranja, e a chuva lá fora continuava a cair, uma trilha sonora perfeita para a nossa desgraça deliciosa.
“Meu quarto”, eu pedi, os dedos agarrados nos ombros dele. “Não aqui. Por favor”.
Ele não hesitou. Com um movimento fluido, me tirou da bancada, mantendo o contato corporal enquanto me carregava pelo corredor. Eu nem notei as paredes passando, nem os quadros que tremiam com nossos passos. Só percebi quando a parte de trás das minhas pernas bateu na cama e ele me deitou suavemente sobre os lençóis.
Ficou me olhando por um momento. Apenas olhando, com uma intensidade que era quase assustadora. Eu me senti completamente nua sob aquele olhar, mesmo ainda vestida. E pela primeira vez, senti uma pontada de… vergonha? Medo? Não sei. Era algo como a sensação de estar em um lugar alto demais, sabendo que a queda seria inevitável e dolorosa, mas ao mesmo tempo, incapaz de se afastar da beirada.
“O que foi?”, ele perguntou, percebendo a mudança em mim. A voz dele tinha suavizado.
“Nada”, eu menti, o coração batendo forte. “É só que… é muito. Tudo isso”.
Ele se ajoelhou na cama, ao meu lado. Não tentou me tocar imediatamente. Em vez disso, apenas continuou me olhando, mas o olhar dele mudou. Ficou mais gentil. Mais compreensivo.
“Eu também”, admitiu ele baixinho. “Sinto isso há tempos. Essa coisa entre a gente que parece mais forte que nós”.
“Eu tinha medo de falar”, eu confessei, a voz quase um sussurro. “Medo de estragar tudo. Medo de estar imaginando coisas”.
Ele sorriu, um sorriso pequeno e genuíno. “Não estava imaginando. Eu também tinha medo. Mas agora… acho que não tem mais volta”.
Ele se deitou ao meu lado, nos viramos para nos encarar, e a distância entre nós era de apenas alguns centímetros. O silêncio se estendeu, não vazio, mas preenchido com o som da nossa respiração, com a energia pulsando entre nós. A chuva lá fora continuava a cair, uma batida constante contra o vidro, como se estivesse medindo o tempo, cada gota um segundo a mais nesse novo capítulo das nossas vidas.
Ele passou um fio de cabelo do meu rosto, o gesto casual mas carregado de significado.
